UM LIVRO, UMA HISTÓRIA – Contos de Horror do Século XIX

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 Email -- Filament.io 0 Flares ×

Disclaimer

É sempre muito difícil iniciar um texto. Muita gente boa sofre com a crise do primeiro parágrafo. Eu aqui estendo o problema: é muito difícil iniciar qualquer coisa, um texto, um projeto e – no meu caso – esta coluna.

O amigo leitor vai me perguntar “Putz, mas é tão difícil assim que você nem vai começar?”. Menos amigo, menos. Vou explicar e você me entenderá.

Quando veio a ideia “Um livro, uma história”, me pareceu fácil por ser óbvio, afinal todo livro que lemos vem com uma história além daquela que está escrita. Vem com a história que nos envolve desde o momento da aquisição até o final da leitura. Então, nada mais natural que escolher um volume que nos é caro na nossa estante, fazer uma retrospectiva e então, compartilhar com o amigo aí do outro lado.

Ó caro amigo…meu problema reside aí. Não é contar a história, é escolher o livro!!!

E ainda mais o primeiro. Como escolher o primeiro livro? Às cegas? Vou lá na estante e faço ‘mamãe-mandou-eu-escolher-esse-daqui’? Não, essas decisões importantes requerem um método. De preferência um que seja validado.

Como bom cientista que sou, fiquei procurando um sistema que unisse o máximo de fatores que pudesse contribuir para o sucesso desse espaço, assim defini os 3 critérios que iriam decidir os livros a serem escolhidos:

1 – A história deve ser real;

2 – A preferência será dada aos livros mais antigos;

3 – Não haverá spoilers;

De posse disso, fui na estante, fechei os olhos e escolhi o primeiro que peguei. Sucesso!

Uma coisa que me ajuda a lembrar das histórias por trás dos livros que tenho, é que imediatamente eu pego uma caneta (de preferência uma Stabilo preta) e assino, com data completa. Logo, sei que comprei esse livro em dezembro de 2005.

A História

Comprei pela internet, num site de uma loja de departamentos que faz referência no nome à nacionalidade do maior país imperialista do mundo (mas não irei citar nomes, afinal eles não nos patrocinam). Fiz essa compra no início do mês de dezembro e o livro chegou antes do dia 15. Eu ainda morava com minha mãe.

Lembro bem, que na infância, um momento de grande felicidade era quando o carteiro chegava com aquele volume envolvido em plástico cinza e letras azuis ‘Editora Globo’, eram as revistinhas da turma da Mônica para mim e a Globo Rural do meu pai. Isso não foi perdido, por toda a vida irei associar os carteiros, como mensageiros das minhas leituras.

Mas divago. Voltemos ao livro.

Cheguei em casa e havia um volume vermelho de conteúdo já conhecido. O primeiro de muitos que eu compraria dessa coleção da Companhia das Letras. Lembro que ao abrir o volume eu sorria, sorria do porque eu havia feito aquela aquisição memorável.

Em novembro de 2004, ainda fazendo faculdade de Farmácia, fui selecionado para um estágio remunerado (3 salários mínimos, eu nunca tinha visto tanto dinheiro na vida) em uma empresa daqui de Sarneyland e após 1 ano de muito trabalho e ralação, uma monografia feita em 3 meses e desistir de fazer a habilitação em Bioquímica, em novembro de 2005, eles me fizeram uma proposta para eu deixar de ser estagiotário estagiário para passar para o quadro de funcionários de nível superior.

Meu chefe me chamou para sua sala e após todo um preâmbulo entre o informal e o formal, me entregou um papel e disse: essa é a proposta salarial, dê uma olha e amanhã você me dá uma resposta. Não tive coragem de abrir, e já sabia que a resposta era sim, afinal, mesmo que eles mantivessem meu salário de estagiário ainda seria uma fortuna para os meus padrões universitário-quase-recém-formado. Mas a curiosidade foi maior, quando abri o pedaço de papel quase tive uma síncope, estava escrito o cargo (que ainda lembro pois achei uma das coisas mais chics que já tinha visto: Analista de Validação / Good Manufacturing Pratices) e o salário (um aumento de 50% em relação à minha bolsa de estágio).

Liguei imediatamente para minha mãe e perguntei o que ela queria de presente, o meu, eu já tinha uma ideia. E já sabia o que iria comprar quando recebesse meu primeiro salário como nível superior, eu compraria um livro!

O Livro

Contos de Horror do Século XIXFicha técnica: Contos de Horror do Século XIX, organização de Alberto Manguel. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. [Vários Autores, vários tradutores, ISBN 85-359-0631-2]

Adoro contos, adoro contos de horror e adoro coletâneas, logo foi uma escolha óbvia para o momento especial.

Recomendo demais esse livro. Adoro as capas (ficam lindos na estante). Deixo aqui uma forte recomendação: Leia a introdução do Alberto Manguel, é fantástica.

Contos que mais gostei: “A mulher alta (conto de terror)”, de Pedro Antonio de Alarcón; “Uma vendeta”, de Guy de Maupassant e “O tarn”, de Hugh Walpole.

José Wilson Carvalho de Mesquita

José Wilson Carvalho de Mesquita, hoje mais conhecido por Will, até pela própria mãe. Esse Maranhense de São Luís tem 34 anos (10/11/1980), é casado e sem filhos ainda. É farmacêutico de formação e biólogo de coração. O culpado pelo vício em leituras é a sua mãe (formada em letras) e uma verdadeira traça. Lembranças da infância associadas com estantes cheias dos mais diversos volumes e estilos. Hoje, curte um pouco de tudo, mas é obcecado com Bernard Cornwell & George Martin.

4 comentários em “UM LIVRO, UMA HISTÓRIA – Contos de Horror do Século XIX

  • 13 de dezembro de 2016 em 14:23
    Permalink

    Esse livro custa uma fortuna, deveriam disponibilizar ele em PDF para gente! 🙂 rs

  • 13 de dezembro de 2016 em 14:49
    Permalink

    kkkkkkkk, que isso Fillipe, imagino que esteja entre 40 e 50 reais. Mas vale a grana, a edição é bem bacana e caprichada.

  • 28 de janeiro de 2017 em 20:46
    Permalink

    O livro custa uma fortuna sim, o mínimo no valor dele que encontrei até agora, foi de 160 reais. Os outros é mais caros ainda, 180, 340, 390 R$. O livro ta bem salgado sim!

  • 1 de fevereiro de 2017 em 18:33
    Permalink

    Filipe e Erinaldo, fui pesquisar o preço do livro e…caramba!

    Que susto!

    Paguei na época menos de 50 reais por ele!

    Tem usados sendo oferecidos por até 390!

    Assustador.

    Valeu pelo Feedback!

    Abraço.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: